| Index | História da Louça Regional de Viana |

A Fábrica de Louça de Viana

O fabrico de objectos de barro para os mais diversos fins - tijolos, telhas, ladrilhos, vasilhame, louça utilitária ou ornamental - a que se dá o nome de olaria ou cerâmica é talvez a mais antiga industria praticada pelo homem.

A origem da cerâmica portuguesa é tão antiga que não é possível fixar-lhe uma data. Nela convergem, naturalmente, influencias de todas as outras.

Em 1774, João Araújo lima e Carlos de Araújo Lemos, de sociedade com João Gaspar Rego e António Alves Pereira Lemos (guarda-livros), foram os fundadores de tão celebrada Fábrica de Louça de Viana, na freguesia de Darque, de que ainda há anos existia parte da edificação no lugar do Cais Novo, junto do Rio Lima.

A sua expansão e desenvolvimento ficou a dever-se aos benefícios consagrados no Alvará Régio de 7 de Novembro de 1770 e à proximidade de Alvarães, de onde lhe vinha uma óptima argila constituída por caulino quase puro.

A existência da Louça Regional de Viana pode definir-se em cinco períodos:

1774 – 1780 – 1790
1790 – 1820 – PERÍODO ÁUREO
1820 – 1830 – 1855 – PERÍODO DE DECLÍNIO
1947 - 1999 – PERÍODO DE RENASCIMENTO
2000 - PERÍODO DE REVITALIZAÇÃO

1º PERÍODO – 1774 – 1780 – 1790

Nestes anos de actividade de experiência em experiência procura afirmar as suas próprias características. Este tempo de aprendizagem, tem a marca e influencia de estilos de modelos importados e de mestres procedentes de outras fábricas.

Destaca-se nesta influencia, a faixa de mestre "Rouen", mestre vindo da Real Fábrica do Rato, a pintura monócroma de tons azul vinoso com temas vegetalistas chineses.

Para o vidrado necessário ao acabamento dispunha a fabrica de moinho próprio, instalado em 1775 e accionado pelo rio Poupeira no lugar dos Arcos, à Meadela.

2º PERÍODO – 1790 – 1820 – PERÍODO ÁUREO

É a maior época da historia da fabrica, a mais intensa da laboração e difusão dos seus produtos, criações pictóricas de grande originalidade e plenitude técnica, de bom esmalte, desenho e cor apurados, formas esbeltas e cozedura perfeita.

"A pasta é fina e dura, o esmalte de tom lácteo é brilhante e não estala. A modelação, os ornatos relevados, e os recortes são executados com perfeição e elegância em pratos, bacias, jarros, lavabos, pias de agua benta, tinteiros, castiçais, galheteiros e outros. Não se fez em parte alguma do país, faiança que a excedesse."

Destaca-se neste período a pintura policroma, com o emprego dos tons azul, amarelo, verde e vinoso em graduações inconfundíveis.

3º PERÍODO – 1820 – 1830 – 1855 – PERÍODO DE DECLÍNIO

Período de laboração industrial com a finalidade de aguentar a concorrência da cerâmica estrangeira. A fábrica de Viana acabaria por sacrificar a qualidade e beleza para satisfazer o gosto da moda, acabando por imitar a louça estampada, das fabricas Inglesas.

4º PERÍODO – 1947 - 1999 – PERÍODO DE RENASCIMENTO

A partir de 1947 a Fábrica de Louça Regional de Viana passa a desenvolver o seu trabalho artístico na Meadela, onde dezenas de artistas produzem peças de decoração inspiradas nos temas e processos plásticos do neoclássico oitocentista, bem como peças originais de decoração contemporânea e peças de autor, que exporta para vários países do mundo.

As instalações fabris respectivas, foram edificadas no lugar da Senhora da Ajuda, na Meadela, a qual ao longo de algum tempo de laboração e em tentativas sucessivas de apuramento da matéria prima se fixou no "Grés Fino".

Tem esta fabrica, assim, características muito especiais de fabricação que lhe permitem a aplicação de uma matéria mais rica do que a anteriormente utilizada (faiança) melhorando tecnicamente os métodos de produção.

Tendo pertencido ao grupo Jerónimo Pereira Campos de Aveiro, passou em 1971 para as mãos do então Banco Pinto de Magalhães, tendo mantido o nome original. Desde então, com as sucessivas mudanças de nome do banco proprietário (União de Bancos Portugueses e mais recentemente Banco Mello), atravessou esta empresa algumas vicissitudes nesta ultima década. Chegou mesmo a temer-se a sua extinção e/ou transferência para outra terra.

Entrou em 1999 a ser-lhe atribuído pela edilidade Vianense, o máximo galardão para instituições desta cidade - "Instituição de Mérito". Em Outubro, e após uns meses de alguma polémica, foi adquirida pela familia Adelino Duarte da Mota.

5º PERÍODO - 2000 - PERÍODO DE REVITALIZAÇÃO

Para esta familia, cuja administração actual está a ser orientada pelo sr. José Manuel Cardoso Mota, 2000, pretende ser um ano de viragem, começando desde logo com a mudança do conhecido nome - Fábricas Jerónimo Pereira Campos, Filhos, S.A. - para aquele que já popularmente era utilizado - Louça Regional de Viana, Lda (LR VIANNA). Em busca de uma renovada "imagem de marca", pretende esta empresa lançar lojas próprias, criar um espaço na Internet (www.Lrviana.com) e renovar a estratégia comercial para com o exterior.

A criação das lojas próprias iniciará ainda em finais deste ano, com a construção de uma nova infra-estrutura no interior do recinto actual da empresa mas do lado nascente da mesma, que albergará a loja e um museu. Todo o espaço envolvente sofrerá obras de remodelação, bem como o edifício principal que será alvo de uma recuperação e reorganização.

Prepara-se então esta empresa para revitalizar as infra-estruturas existentes, criar novos postos de trabalho e novo dinamismo na produção.

Não se desviando das intenções tradicionais que animaram a fundação desta cerâmica. A "Louça Regional de Viana" continuará a ser produzida artesanalmente, em permanente procura de qualidade e estilo ainda vivos nesta região do Alto Minho.